POLÊMICA — Para o empresário Rodrigo Dálio, o Pitbull pode ser um excelente cão de companhia, desde que seja criado sem receber incentivos para a violência
“O Pitbull é um cão muito apegado ao dono. Gosta de estar sempre junto dele. Cães dessa raça fazem tudo o que o dono incentiva. Se for a agressividade, ele será agressivo. Se for a docilidade, como em casas onde é criado junto a crianças, com certeza vai ser um animal dócil”, diz o criador.
Dálio cita como exemplo da ligação do Pitbull com o dono, o fato de cães dessa raça estarem sendo utilizados como defesa anti-seqüestro. “O Pitbull vai defender seu dono sempre. Tenho uma amiga que só anda em São Paulo com um Pitbull dentro do carro. Vai a lugares movimentados e o cão nunca atacou, mas ela se sente segura com ele”, citou.
Para o criador, os ataques de Pitbull podem ter várias explicações. A mais provável, em sua opinião, é de que o animal tenha recebido incentivo à violência durante a criação ou de que seja descendente de cruzamentos genéticos “desaconselháveis”.
“Os criadores de Pitbull têm como preocupação principal melhorar a raça, tanto do ponto de vista físico quanto temperamental. Um dos problemas são pessoas que criam Pitbull sem controle nenhum e promovem cruzamentos, por exemplo, entre irmãos puros, da mesma ninhada. Isso pode provocar problemas genéticos no animal, como no ouvido e visão, e até desvios de comportamentos”, observa.
Dálio é criador de Pitbull há três anos. Atualmente é proprietário do canil Pitbull Asteca Kennel, de Ipaussu, e é considerado o terceiro criador pelo ranking nacional da Dog Show, uma empresa que acompanha exposições e apresentações de animais no país.
Ele considera necessário os donos de Pitbulls conhecerem bem a raça para saber como melhor criá-los. A raça surgiu de um cruzamento feito em 1812 na Europa entre o Bulldog inglês e terriês europeus (cães roedores de caça).
Dálio não considera indicado ter um Pitbull como cão de guarda em empresas por causa da necessidade do animal de ter contato com o dono. “O cão pode se sentir sozinho e ficar doente ou apresentar um comportamento diferente, tanto para o lado da agressividade quanto para o da apatia”, notou.
“Até a morte” — Apesar de ser proibida no Brasil e em muitos países, a organização de lutas entre cachorros — muitas vezes até a morte de um deles — é, para o criador, outra causa da agressividade de Pitbulls.
“Quem cria cães para a briga só incentiva o animal à violência e ele responde a esse incentivo. Apesar de ilegal, é provável a existência delas no Brasil. Eu mesmo já recebi telefonemas de pessoas de outros Estados interessadas em comprarem animais para briga, mas os que crio não têm essa finalidade”, disse Dálio.
Outro problema, na opinião dele, é o uso de anabolizantes em Pitbulls. O criador diz que o produto deixa o cão mais agressivo.
Lei — Dálio é contra uma lei que proíba a criação de cães Pitbulls ou que tenha por objetivo extinguir a raça, mesmo que seja aos poucos. “Isso não adiantaria porque as pessoas que têm Pitbull com objetivo de torná-los agressivos iriam cruzar outras raças até obter uma mais agressiva ainda”, acredita.
Dálio é favorável a um cadastramento municipal dos donos de Pitbull e um controle de sua comercialização. “O fim da venda de animais sem pedigree ajudaria a controlar o surgimento de cães tão ferozes”, acredita.
Dálio considera indispensáveis as placas de aviso da existência de cães em frente das residências. Para ele, o ideal é que as placas tenham foto dos cães para serem reconhecidas também por crianças e analfabetos.
http://www2.uol.com.br/debate/1154/regiao/regiao06.htm
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